Minha língua dança
dentro da minha boca
é frenetico seu movimento pertubador
empurra os dentes
empurra os dentes
Ela cansou da rotina da saliva
deseja outras viscosidades
novas mucosas
se recusa a produzir sons pelos sons
que o barulho seja conseguência
Minha língua pode dançar em outro lugar?
ela enjoou da mesma caverna
Qualquer que seja a abertura
independente da profundidade ou da largura
Minha lingua hoje acordou com instinto explorador.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Pra deixar as coisas crescerem direito
Agora não uso mais os cabelos
sob os domínios do vento
20 anos e hoje me desfiz de mais um segmento
aprendendo a largar
experimentando o desapego
Um novo eu
a cada dia
Um novo outro
a cada espelho
Eu nem sequer
me reconheço
A cada reflexo
um recomeço
domingo, 14 de março de 2010
Cada um
Cada um com seu respectivo
talvez eu ache um abrigo
talvez um vazio
talvez um...
Cada um com seu respectivo
talvez alguém me encontre
talvez eu fique perdido
talvez até...
Cada um com seu respectivo
não é metade
não é complemento
não é 50%
não é...
Talvez eu
talvez só
talvez não
talvez por enquanto
talvez até seja melhor
Desacompanhado
procura carinho e afago
procura procura procura amparo
procura e só encontra solidão
Cada um com seu respectivo
e eu com meu próprio umbigo.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Simplesmente Complicado - assista
Ontem eu lembrei do gosto delicioso da comida da tua casa
do lado que você gosta de ficar da cama
dos troncos colados
da repetição da/na madrugada
da tv se apresentando pra ninguém
do som alto pra disfarçar nossa alegria.
Eu lembrei da padaria da esquina
dos inúmeros táxis
Dos banquinhos de praça que transformamos em nosso.
Dos banhos juntos
das coisas íntimas
das loucuras que experimentamos
pela primeira vez com o outro
da máquina de cabelo
da Tequila
daquele final de semana trancado no quarto
da maconha e da cocaína
Das sombras por baixo da porta de sanfona
da antiga cama que rangia
do silêncio forçado
pela insistência em fazer o que não devia
Do sorriso que a joaninha dava de manhã
das suas tatuagens feias
do DVD que eu fiz pra você e sonho em quebrar
das camisas que você não fazia questão de me dar
Do bife com cebolas
da pizza aos domingos
do teu lanche preferido no sebosão
pós
segundas/quartas/sextas
Do ciúme doentio
dos filmes que vimos juntos
de como eu sentia a mentira
mas segurei a ficha antes da queda completa
daquela madrugada
daquelas mensagens
daquele choro
daquela perseguição
daquele dia
Das coisas que te abatiam
do seu passado que me dava sinal do
duvidoso comportamento
dos lugares que você tinha medo
das pessoas que você fugia
agora eu sou mais uma na lista das que
você errou e hesitou em corrigir.
Deu saudade, deu ódio
deu aquele prazer em estar vivo
e saber que eu aproveitei muito mais que você.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Obturação
Todo esquecido quando
lembra das antigas existências
retoma dores
revive histórias
alimenta ódios
enche o peito e bate forte
em discurso ilusório
"Eu mereço mais"
Sempre se rendendo a menos
por pena de si mesmo
"Ergue a cabeça
pára de se fartar com migalhas"
seu sub-consciente
insistente grita como apelo final
"Permita-se lembrar mais"
Mas é que todo esquecido
por lei esquece e quando lembra se compromete
não que as palavras simplesmente entrem por um
e saiam pelo outro ouvido
não que as memórias simplesmente entrem por um
e saiam por outro sentido
mas ele realmente só lembra do que infiltrou
lembrança boa ou ruim
não importa
foi forte?
ficou. sangrou ou até curou.
O esquecido
permite-se esquecer
mas não admite cair no esquecimento.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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